domingo, 4 de dezembro de 2011

Zé Ramalho - Cidadão

Zé Ramalho nasceu em 3 de outubro de 1949 em Brejo do Cruz/PB, filho de Estelita Torres Ramalho, uma professora do ensino fundamental, e Antônio de Pádua Pordeus Ramalho, um seresteiro. Morou em Brejo do Cruz até 1951 quando perdeu seu pai, que morreu afogado em um açude, e ai seu avô, José Alves Ramalho o pegou para criar, é dai que vem a pronúncia Avôhai (Avô e Pai), o próprio Zé nos fala que este nome lhe foi soprado por entidades extra-terrestres ou sensoriais 20 anos depois. Foi criado também por sua avó Soledade e suas tias, Maria Madalena, que foi também sua primeira professora,Inês, Terezinha (Tetê), Zélia e pelo tio Nonato Ramalho. Seu avô desde cedo o ensinou a amar os bichos e a natureza, a respeitar as pessoas e nunca passar por cima delas em hipótese alguma para poder atingir seu objetivos
Seu avô deu a todas as filhas formação superior e a seu neto lhe possibilitou que estudasse nos melhores colégios. Zé sempre gostou de estudar, e a partir do segundo grau é que começou a ter seus contatos musicais, primeiro com os violeiros da região, e familiarizado com os cordéis ele mesmo passou a compor músicas. E desde cedo ele gostou de literatura greco-romana, dai o fato de suas músicas serem sempre cheias de citações bíblicas e de mitos greco-romanos. Aprendeu com facilidade a escrever em decassílabos, dai começou a compor usando essa forma que é chamada de "Martelo Agalopado" pelos repentistas do Nordeste.

Assim que a família se estabeleceu em João Pessoa, ele participou de algumas apresentações de Jovem Guarda, sendo influenciado por Renato Barros, Leno e Lílian, Roberto Carlos & Erasmo Carlos, Golden Boys, The Rolling Stones, Pink Floyd e Bob Dylan.

Para alegria da familia, principalmente do Avôhai ele entra para a Faculdade de Medicina.
Em 1971 tem seu primeiro envolvimento de vez com as mulheres, seu nome era Ísis, com quem teve seu primeiro filho, ChristianGalvão Ramalho (1974). Porém este seu primeiro casamento não deu certo.

E pouco tempo depois ele também largou o seu curso de Medicina na Faculdade, o qual ele não levava jeito nenhum, pois quando via alguém machucado ficava muito nervoso, o que ficava muito difícil para o exercício da Medicina. Fato que magoou bastante o Avôhai, mas o mesmo não interferiu de jeito nenhum na escolha do neto pela carreira musical.

Em 1974, seu primeiro filho, Christian, nasceu.

Ainda em 1974 sai da Paraíba rumo à cidade maravilhosa com o intuito de engrenar de vez a sua carreira musical, levando a tiracolo uma seleção de músicas para gravar seu primeiro "acetato de mercúrio"

Lá fazia parte da banda de Alceu Valença também em inicio de carreira, com o show "Vou Danado pra Catende", na banda ele tocava viola, e neste show ele cantava uma composição de sua autoria (Jacarepaguá Blues)

E foi neste período que o Zé teve sua inicialização com as drogas, e em um destes seus shows havia consumido LSD, em sua "viagem" foi para o meio do palco fazer sua apresentação individual, e em vez de cantar a música que estava no roteiro (Jacarepaguá Blues), cantou outra música sua (Vila do Sossego), na hora houve muita confusão, os músicos não entenderam nada do que estava havendo, mas alguns ainda acompanharam e outros sairam do palco, e o público mesmo assim aplaudiu bastante a sua performance, mas só que Alceu Valença não gostou, e os dois discutiram no camarim, e na volta para o palco o Zé quebrou sua viola no palco, no meio do show, só que o público novamente aplaudiu pensando que fazia parte do show, e tal fato resultou no rompimento da parceria dos dois.
E um ano depois o Zé vai ao teatro assistir a outro show do Alceu (Espelho Cristalino), e para surpresa do Zé a primeira música do show é Vila do Sossego, o que lhe emocionou bastante, pois essa música fazia parte do roteiro do show.

També tocou na trilha sonora do filme Nordeste: Cordel, Repente e Canção, de Tânia Quaresma. Na época, passou a misturar as suas influências: de Rock and roll a forró. Um ano depois, gravou seu primeiro álbum, Paêbirú, com Lula Côrtes na gravadora Rozenblit. Hoje em dia, as cópias desse disco valem muito por serem raras.

Zé lança seu primeiro Disco (Paêbiru) juntamente com Lula Côrtes, Paulo Rafael, Geraldo Azevedo e Alceu Valença pela Gravadora Rozenblit da cidade do Recife com o selo Mocambo, onde toca vários instrumentos, o disco é dividido nos elementos, Água, Terra, Fogo e Ar. Este disco foi gravado em 2 canais e falava na Pedra do Ingá, um rochedo coberto de misteriosas e indecifrada inscrições. Este album nunca foi lançado comercialmente e a grande maioria das cópias foram engolidas pelas águas do Capibaribe na enchente de 1974.

Neste tempo a vida para ele era muito difícil, chegando mesmo a dormir na praça (literalmente) e trabalhava em uma gráfica.

Em 1976 participa de um Disco Compacto Simples (Réquiem para o Circo) onde ele declama um texto. Era com o Grupo Ave Viola do compositor paraibano Dida Fialho.

Em 1977, gravou seu primeiro álbum solo, Zé Ramalho. No próximo ano, seu segundo filho, Antônio Wilson, nasceu.

E neste mesmo ano ele assina contrato com a CBS e lança o disco com seu nome e o carro chefe deste disco é a música Avôhai que já era sucesso na voz de Vanusa.
Em 1978 ele ganha projeção nacional com o disco "A Peleja do Diabo com o Dono do Céu", onde o carro chefe é a música Admirável Gado Novo. E neste mesmo ano ele conhece Amelinha com quem passa a viver maritalmente e ela grava o sucesso Frevo Mulher, os dois fazem uma turnê para divulgar o trabalho dos dois.

Com Amelinha tem dois filhos João Colares Ramalho e Maria Colares Ramalho.

Em 1979, veio o terceiro filho, João, fruto de sua relação com Amelinha, e também o segundo álbum, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu. Mudou-se para Fortaleza em 1980, onde escreveu seu livro Carne de Pescoço. O terceiro álbum A Terceira Lâmina, foi lançado em 1981, ano em que nasceu sua primeira filha, Maria Maria; logo após, veio o quarto disco, Força Verde, em 1982.

Em 1982 lança o disco "Força Verde", um disco recheado de polêmicas, neste disco foi acusado de plágio do artista irlandês William Yeats. Na música Pepitas de Fogo ele diz que a inspiração veio da capa do disco de Pink Floyd, onde um homem carrega uma mala cheia de figuras, dai os versos "as figuras do mundo vão levar". Em Força Verde, a inspiração veio de uma revista de quadrinhos do "Incrivel Hulk". Alguns versos da música fazem parte da história contada pelos quadrinhos, mas ele nunca ia imaginar que os versos eram do poeta irlandês, fato pelo qual ele não deu créditos. Essa acusação não chegou a ser formal, pois os advogados da revista Marvel Comics se retrataram por não terem dados eles próprios os créditos devidos. A maior acusação veio da midia, neste tempo o apresentador de TV Flávio Cavalcanti, em um dos seus quadros chegou a quebrar o disco do Zé e jogando-o ao lixo disse: "Roubou, tem que pagar."

Mas uma acusação dessas abalou muito a vida e a sua carreira e neste mesmo tempo Amelinha o largou e ai ele se entregou de vez às drogas principalmente à cocaina, e com este vicio ele chegava a compor 3 músicas em seguida com a euforia da droga.
Zé só vai se levantar com a chegada em sua vida de Jorge Mautner, ele chega em seu apartamento e lhe diz que tem uma música que é a sua cara.

Logo ele se identifica com a música que foi feita para ele e ai começou o projeto de seu 5º disco que ia levar o nome da música do Jorge Mautner, era "seu quinto mar de sons, sonhos e poemas. O sono acabou".

Neste disco teve as parcerias de Maria Lúcia Godoy, Fágner, Robertinho do Recife, A Cor do Som, Osmar (Trio Dodô e Osmar) e Egberto Gismonti.
Mas apesar destes grandes nomes o disco não teve o sucesso esperado, tanto da critica como do público.

Em 1983, após o lançamento do quinto álbum, "Orquídea Negra", terminou sua relação com Amelinha e se mudou para o Rio de Janeiro. Depois de gravar "Por aquelas que foram bem amadas ou para não dizer que não falei de rock", no início do ano de 1984, passou a viver com Roberta Ramalho, com quem vive até hoje.

E em 1984 ele veio todo remoçado, mudou de estilo musical e de estilo visual, fez a barba e cortou os cabelos para lançar o disco "Pra não dizer que não Falei de Rock ou... Por aquelas que Foram bem Amadas", neste seu novo trabalho exalta o rock'n'roll anos 60. E novamente o disco não faz sucesso e muitos criticos e o grande público falava que o Zé tinha se rendido ao "sistema", pois diziam que ele tinha feito apenas músicas comerciais, o que de certa forma era mentira pois ele não fez nada disso, que o diga as músicas O Tolo na Colina em parceria com Erasmo Carlos e a música Dogmática que são puro protesto.
E em 1985 lança outro disco com o nome "De Gosto, de Água e de Amigos", que novamente não emplacou. Neste mesmo ano ele fez sucesso com a música Mistérios da Meia-Noite, da trilha sonora da novela da Globo (Roque Santeiro), esta música foi incluida na segunda tiragem do disco e em um LP duplo.

Em 1986 lança o disco "Opus Visionário", que vem recheado de misticismo, bem ao estilo do que conhecemos do Zé.

Em 1987 sai o disco "Décimas de um Cantador", último disco pela CBS, neste disco ele se revela um tanto cansado e o estranho é a capa, ela sai com seu nome como se fosse escrito com cocaina, e ela já amostrava no Zé, foram 6 anos de intenso consumo e ela já havia afetado a mucosa do nariz que sempre sangrava, fora as náuseas que eram constantes.
Até que um dia com o seu canudinho na mão ele lembrou da terrivel sensação que sentiria e concluiu que o êxtase causado por "ela" não valia a pena, e ai ele decidiu dá um basta. Ele não quis se internar em uma clinica de dependentes, e resolveu se tratar em casa mesmo juntamente com sua mulher Roberta, ficou cerca de um mês só tomando remédios e descansando, em sua pele já apareciam algumas feridas que eram conseqüências do sangue intoxicado, este tratamento foi muito doloroso para toda a familia. Neste retorno à vida ele deveu muito à Roberta que lhe deu muito apoio durante todo este periodo de desintoxicação. Roberta chegou em sua vida em 1980, prima de Amelinha e claro sua fã, ele lhe viu pela primeira vez em seu camarim logo após um show e logo ele a convida para conhecer a "cidade maravilhosa".

Quando Roberta Fontenele Ramalho entra de vez para a vida dele ela assume o posto de empresária do marido.

Em 1991, sua única irmã, Goretti, morreu. Ainda assim, gravou seu décimo primeiro álbum, Brasil Nordeste (que continha regravações de músicas típicas nordestinas) e voltou ao seus tempos de sucesso. A canção "Entre a Serpente e a Estrela" foi utilizada na trilha sonora da novela Pedra Sobre Pedra. Em 1992, teve seu quinto filho, José, (o primeiro com Roberta), fato que foi seguido pelo lançamento do álbum Frevoador. Em 1995, nasceu a segunda filha: Linda.

Em 1996, gravou o álbum ao vivo O Grande Encontro com Elba Ramalho e os famosos nomes da MPB Alceu Valença e Geraldo Azevedo. No mesmo ano, lançou o álbum Cidades e Lendas.

O sucesso de O Grande Encontro foi grande o suficiente pra que Zé Ramalho decidisse gravar uma nova versão de estúdio em 1997, desta vez sem Alceu Valença. O álbum vendeu mais de 300.000 cópias, recebendo os certificados ouro e platina.

Para celebrar seus vinte anos de carreira, lançou o CD Antologia Acústica. A gravadora Sony Music também lançou uma box set com três discos: um de raridades, um de duetos e um de sucessos. A escritora brasileira Luciane Alves lançou o livro Zé Ramalho – um

Visionário do século XX.
Antes do fim do milênio, um outro sucesso Admirável Gado Novo (primeiramente lançado no álbum A Peleja do Diabo com o Dono do Céu) foi usado como abertura da novela O Rei do Gado. Ele também lançou o álbum Eu Sou Todos Nós, seguido do Nação Nordestina, sendo que nesse último a música nordestina foi novamente explorada. O álbum foi indicado para o Latin GRAMMY Award de Melhor Álbum de Música Regional ou de Origem Brasileira.


Cidadão
Zé Ramalho



Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas prá ir, duas prá voltar
Hoje depois dele pronto
Olho prá cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
"Tu tá aí admirado?
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou prá casa entristecido
Dá vontade de beber
E prá aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer...
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...
Tá vendo aquela igreja moço
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"
Hié! Hié! Hié! Hié!
Hié! Oh! Oh! Oh!

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